sábado, 23 de fevereiro de 2013

First Kiss

Postado por Fabiana Vasques às 07:57

kiss

Na família Lima, paira uma lenda que uma BV – boca virgem – tem até o seu 15° aniversário para dar seu primeiro beijo e acabar com a maldição de solteirice pelo resto da vida. Na verdade, isso aconteceu apenas duas vezes, mas foi o suficiente para causar pânico entre as mulheres da casa, as duas que beijaram depois dos 15 anos, tiveram um fardo muito pesado: nunca conseguiram se casar.

    A tia Brígida tem 45 anos, e deu seu primeiro beijo apenas aos 17 anos e o jovem Samuel jurou casar-se com ela assim que atingissem a maioridade. Um dia ele teve uma dor no peito e no auge dos 18 anos morreu de ataque fulminante.

    Antes dela, foi a tia Sofia, que hojé é uma senhorinha, e minha mãe disse que ela somente beijaria um homem quando ele a pedisse em casamento… porém no meio de mais 6 irmãs, sendo ela a mais velha, foi a única que não casou-se pois sempre que um jovem aproximava-se da família, uma irmã mais sabidinha logo tascava-lhe um beijo e assim uma por uma constituíram família ficando somente titia Sofia.

    A questão é que não sabemos se a tal da maldição é verdade ou não, mas nas reuniões de fim de ano, antes das tias solteiras chegarem, sempre surgem questionamentos se elas ainda são virgens, contudo não sei se falam virgens de beijo, ou virgens de tudo, por isso todas as primas, logo gabam-se umas as outras assim que deixam o posto de BV (Boca Virgem)

    No meio desta coisa toda, foi que constatamos no último ano, que a única entre as 15 primas que estava perto de completar 15 anos e que ainda não tinha beijado era eu, e por isso, mais que depressa todas resolveram dar uma forcinha, afinal, já era hora de eu dar um jeito nisso.

    Nos dias que se seguiram, recebia recadinhos no face, torpedos no celular e as meninas diziam que conheciam um garoto  no colégio que toparia ajudar-me com a coisa, apenas para evitar a maldição. Afinal de contas, era dezembro e meu aniversário de 15 anos seria dali há 02 meses, em Fevereiro. Até minha mãe que dizia não acreditar em invenções idiotas, andou perguntando se eu não conhecia nenhum garoto bonitinho na escola, ou o que eu achava do Dudu, o vizinho da frente que era conhecido por  não gostar muito de tomar banho. Pensei comigo mesma, qual seria meu cruel destino: ficar solteira pelo resto da vida, beijar o Dudu fedido ou os meninos esquisitos conhecidos das minhas primas.  Eu tinha sonhado com um beijo apaixonante, meigo, doce e mágico, mas o tempo conspirava contra mim.

    Foi então em Janeiro de 2011, que decidimos passar um final de semana em Pinda, na casa da minha avó paterna. Havia uns dois anos que não íamos para lá, e assim que cheguei, percebi apenas uma coisa diferente: o moleque sardento da casa em frente a da minha avó tinha crescido, tirado o aparelho e com certeza aprendeu as maravilhas de um gel no cabelo. Ao cumprimentá-lo quase derreti: ele usava um perfume masculino de homem, não cheirava sabonete, e ele tocou-me de leve nas costas, deu um beijo no rosto e sorriu…

    Meninas, não subestimem o poder de um perfume…garoto cheiroso, com mãos delicadas e sorriso maroto, danado, ele me pegou. Não consegui pensar em outra coisa desde sexta até sábado. E foi assim como que por acaso(mentira, era pretexto para cruzar com o garoto), fiquei sentada na calçada a noite, ele chegou e sentou-se ao meu lado. Ficamos por horas conversando sobre tantos assuntos, ele tinha tanta coisa em comum comigo, que não vimos o tempo passar.

    Decidimos caminhar um pouco, e no final da rua tem uma árvore enorme, e no interior de São Paulo o calor é de matar…já eram mais de onze horas mas estava tudo tão quieto e o céu estava lindo, limpo e cheio de estrelas (coisa que aqui em São Paulo não acontece), naquele momento mágico, não precisaram de palavras, ele chegou perto e me beijou.

    Acho que durou um minuto e meio. Ok, não tenho certeza só contei até 10 mentalmente e depois me rendi. Todas as técnicas que as meninas me ensinaram, eu não lembrei de aplicar, coisas como : vira a cabeça pro lado oposto, ou não abre os olhos, ou não abre  muito a boca para não babar.

    Bom, se a maldição da família existe mesmo eu não sei, mas o beijo foi muito, muito bom e o melhor de tudo: não foi com o Dudu fedido.

    Meu conselho para quem é BV?

    Menina, não existe conselho! Toda garota vem com manual de beijo incluso desde que nasce, e está pronta para beijar. Queridas somos garotas e uma garota sempre sabe fazer a coisa certa quando chega a hora.

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