sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Saindo da zona de conforto

Postado por Fabiana Vasques às 07:20
DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
Mario QuintanaNina’s Clicks创意街头摄影…_来自媚媚-的图片分享-堆糖网

   
Lembro-me que, quando aprendi a andar de bicicleta, tive algumas quedas. Sentia um frio na barriga, misturado com coragem. Passado algum tempo, dominei o equilíbrio e já andava sem ajuda. Quando fiquei exper, exibia minha caloi ceci na rua e às vezes erguia as duas mãos ao mesmo tempo, eu era uma mestre da duas rodas! Além disso, aquela bike me levava a horizontes mais longes: podia sair para outras ruas além da minha. (Pode parecer besteira, mas aos 10 anos, andar nos quarteirões era o auge da liberdade infantil).
    A zona de conforto envolve tudo o que nos deixa a vontade. A sensação de conhecer, saber fazer algo bem, sentir-se  segura e tranquila…  É como ler: não nos esforçamos mais para juntar as sílabas, para lembrar que som aquela grafia representa, flui naturalmente, olhamos uma palavra e lemos quase que de imediato. Isso acontece porque dominamos aquela língua e sabemos lidar com ela.
    Tudo o que está fora do nosso círculo, tudo o que está do lado de fora da zona de conforto traz medo e  insegurança. Até nos apropriarmos do desconhecido, ficamos receosos. Os pensamentos de dúvida invadem nossa mente e perguntas sem resposta vem: E se não der certo? E se não conseguir? E se me machucar, rirem de mim? E se disser algo errado, se não for a estrada correta, e se me arrepender?
    Deixar de sonhar tem a ver com a covardia de não ousar mais. Por um tempo pensei que se, fosse mais realista, sofreria menos, caso os sonhos não se tornassem reais. Achava que, se vivesse dentro do meu mundinho, as coisas seriam mais fáceis. E foram por um tempo. Só não tinha entendido que uma vida sem projetos, sem desafios, sem riscos, não é vida… é só existência.
    E assim decido dia após dia sair do confortável, olhar com bravura e seguir para o fim da prova. Como se estivesse em uma corrida, onde muitos correm próximos, outros desistem e eu só olho para a chegada.
   Quero o novo, o difícil. Quero chegar a lugares onde outros não chegaram, quero ser diferente, ter uma luz própria e cintilante. Quero aprender francês, tocar teclado, ir a Israel. Andar a cavalo, ser figurante em Boollywood, correr uma maratona, ficar loira e não gostar, jogar um preto azulado, cortar chanel, joãozinho. Quero ler mais livros africanos, quero um blog de sucesso, quero ganhar dinheiro mas não ser ganha por ele. Quero viajar o mundo, mas ter um lar pra voltar. Quero receber cartas de amigos pelos correios, quero ter um filho, quero amar sem medida e ser amada.
    Se no meio do caminho tiver alguns arranhões, se adquirir uma dívida, se chorar de vez em quando, não importa. Desde que eu feche os olhos e ainda possa pensar em mais um último sonho, sei que vale a pena.
    Quero uma vida vivida, longe da zona de conforto!

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